Um pouco de História...

A fotografia ilustra a viagem do Wilhelm Gustloff a 10 de Abril de 1938, quando o transatlântico serviu de mesa de voto flutuante para 2.500 alemães residentes em Inglaterra. O navio afastou-se do limite das três milhas territoriais para dar oportunidade de votar a anexação da Áustria. Parece que os regimes totalitários deste tempo, ao contrário dos actuais democratas, davam grande importância a referendos.
Mesmo assim, importa contar um pouco da história do Wilhelm Gustloff. Construído inicialmente para a Kraft durch Freude (Força pela Alegria), a organização recreativa dos trabalhadores nacional-socialistas, teve como uma das suas primeiras misssões o salvamento da tripulação de um cargueiro britânico naufragado, poucos dias antes da fotografia de cima.
Como navio cruzeiro permitiu viagens em classe única para todos os trabalhadores alemães, o que era um luxo não muito comum para a época. Lisboa e Funchal foram alguns dos destinos de eleição. Com o início da Segunda Guerra Mundial, foi transformado em navio-hospital, colaborando na evacuação de feridos em vários teatros de guerra. Mais tarde, no fim de 1940, foi tornado em navio-alojamento.
Com o contra-ataque soviético e a acumulação de refugiados na cidade de Gotenhafe (Polónia), o Wilhelm Gustloff recebeu a missão de transportar civis de volta à Alemanha. A 30 de Janeiro de 1945, sobrelotado com mais de dez mil pessoas, muitas delas feridas, saiu do porto de Gotenhafe. Interceptado por um submarino soviético, o navio foi atingido por três torpedos em pleno Báltico. Como consequência do naufrágio, mais de 9000 pessoas morreram - seis vezes mais que no Titanic - constituindo este o maior desastre naval de todos os tempos.
[Miguel Vaz]




1 Comentários:
Há um livro de Günter Grass, com tradução portuguesa e da Editorial Notícias, intitulado «A Passo de Caranguejo» que romanceia este caso.
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