As eleições municipais francesas, a participação identitária e Nice
Em França, a primeira volta das eleições locais está marcada para o próximo domingo. O meu grande interesse neste sufrágio está relacionado com a participação do Bloc Identitaire, após o relativo sucesso que obteve na primeira ida aos papelinhos (principalmente em Nice), por ocasião das eleições gerais do ano passado. Desta vez os identitários franceses apresentar-se-ão em cerca de vinte listas (entre cadidaturas mais ou menos oficiais a autarquias ou de simples interesse local), algumas delas em coligação com formações mais experientes e organizadas como a plataforma Alsace d'Abord, o MNR ou até o Front National de Le Pen.
Sim, apesar de acusarem o partido de representar ideiais "jacobinos" e "reaccionários", os identitaires também alinham com o Front National quando é necessário. É bom dizer que os principais quadros identitários foram quase todos formados no partido e Le Pen, incluindo Fabrice Robert (que esteve presente na conferência de dia 23 de Fevereiro) e o seu número dois Guillaume Luyt.
Nice, o tubo de ensaio identitário
Nestas eleições, Nice é talvez a principal frente de combate dos identitários. É também o local onde a polémica já fez correr mais tinta. A insistência dos dirigentes parisiences do Front National em apresentar uma candidatura independente, confrontando a lista unitária NISSA (encabeçada pelo identitaire Phillippe Vardon, também orador na conferência portuguesa de dia 23, e apoiada pelo MNR e vários ilustres patriotas de Nice) originou a recusa dos homens fortes de Le Pen na região.
Entretanto, em Nice, as sondagens vão dando 3% dos votos à lista de Vardon, que tinha a campanha com 1% nas estatísticas. Ora 3% é o mesmo resultado que as sondagens dão ao Front National, que tem uma certa tradição no Pays Niçois e que nas eleições municipais de 2001 havia recolhido 12% (!) das preferências. Tudo isto causou uma compreensível onda de histeria nas hostes identitárias.
É aqui que é necessário manter os pés bem assentes na terra. Analisando as mesmas sondagens, ficamos a saber que 75% dos inquiridos nunca ouviu falar de Phillippe Vardon e que 11% tem má opinião do candidato (contra 6% de boas opiniões). Na verdade, o líder da lista NISSA é o menos conhecido dos candidatos e o que reúne a "boa opinião" de menos pessoas. Além disso, a direita nacional aparece dispersa por duas candidaturas, o que confirma o problema enunciado por Alain Soral das "energias desperdiçadas em combates internos". Por outro lado, tudo isto são sondagens com um significativo grau de incerteza e não deixa de ser um excelente sinal que a lista identitaire apareça nas estatísticas taco-a-taco com candidaturas de nível nacional (como o MoDem). No entanto, a análise destes resultados aconselha prudência e não é, de longe, motivo para prever a marcha sobre Paris para os próximos meses.
[Miguel Vaz]
Sim, apesar de acusarem o partido de representar ideiais "jacobinos" e "reaccionários", os identitaires também alinham com o Front National quando é necessário. É bom dizer que os principais quadros identitários foram quase todos formados no partido e Le Pen, incluindo Fabrice Robert (que esteve presente na conferência de dia 23 de Fevereiro) e o seu número dois Guillaume Luyt.
Nice, o tubo de ensaio identitário
Nestas eleições, Nice é talvez a principal frente de combate dos identitários. É também o local onde a polémica já fez correr mais tinta. A insistência dos dirigentes parisiences do Front National em apresentar uma candidatura independente, confrontando a lista unitária NISSA (encabeçada pelo identitaire Phillippe Vardon, também orador na conferência portuguesa de dia 23, e apoiada pelo MNR e vários ilustres patriotas de Nice) originou a recusa dos homens fortes de Le Pen na região.
Entretanto, em Nice, as sondagens vão dando 3% dos votos à lista de Vardon, que tinha a campanha com 1% nas estatísticas. Ora 3% é o mesmo resultado que as sondagens dão ao Front National, que tem uma certa tradição no Pays Niçois e que nas eleições municipais de 2001 havia recolhido 12% (!) das preferências. Tudo isto causou uma compreensível onda de histeria nas hostes identitárias.
É aqui que é necessário manter os pés bem assentes na terra. Analisando as mesmas sondagens, ficamos a saber que 75% dos inquiridos nunca ouviu falar de Phillippe Vardon e que 11% tem má opinião do candidato (contra 6% de boas opiniões). Na verdade, o líder da lista NISSA é o menos conhecido dos candidatos e o que reúne a "boa opinião" de menos pessoas. Além disso, a direita nacional aparece dispersa por duas candidaturas, o que confirma o problema enunciado por Alain Soral das "energias desperdiçadas em combates internos". Por outro lado, tudo isto são sondagens com um significativo grau de incerteza e não deixa de ser um excelente sinal que a lista identitaire apareça nas estatísticas taco-a-taco com candidaturas de nível nacional (como o MoDem). No entanto, a análise destes resultados aconselha prudência e não é, de longe, motivo para prever a marcha sobre Paris para os próximos meses.
[Miguel Vaz]




18 Comentários:
Os identitários vão crescer muito, são inócuos contra o sistema, foram criados para isso mesmo, para crescer e ser a "alternativa" controlável do sistema (com os mesmos ódios e paixões deste).
Excelente a tua análise.
A luta eleitoral é apenas mais um meio usado pelo Bloc Identitaire. O essencial do trabalho não é realizado e medido através das eleições. Há todo um trabalho efectuado e que só tem 5 anos de existência.
O Soral tem razaão, mas quando um Partido como a FN tem gente como o Soral que é a favor da assimilação, é natural que existam divergências.
Nuno Neves
"motivo para prever a marcha sobre Paris para os próximos meses."
Nem nos próximos anos... só quem vive noutro planeta pode ter essas ilusões.
Só uma pergunta Nuno Neves, és o Nuno Neves da CI, que era do PNR versão Cruz Rodrigues (assimilador), ou és outro!?
Meu caro, os identitários não alinham com o FN, mas sim com candidatos do FN, ou seja, com quem foi, ou é, possível estabelecer uma ponte, mesmo que circnstancial.
Quanto ao Soral, enfim, um study case, que entra de rompante na área nacional para a subverter, ou é preciso recordar que este senhor é por uma França multicultural, onde o jus sanguinis não tem lugar, onde o que interessa é o princípio jacobino de cidadania? Desperdiçar energias com este senhor isso sim, seria uma lástima, já que com gente assim na área nacional quem precisa de inimigos.
Eu tinha ideia que o Miguel Vaz não era racialista...
Gostei. Gostei de ler, excelente retrato.
ouvi dizer que a maior parte dos actuais idenditarios alinhavam no pnr que tinha o armando soares na direcçao(para quem não sabe era um vigoroso jovem africano).
alguem pode confirmar isto?
Ouvi dizer que esses identitários de Nice atacaram um dirigente do Front National com 62 anos.
Alguém confirma isto?
Esses jovens não foram os que tentaram matar o Chirac, ou isso foram Hammerskins Franceses?
Dos jovens identitários, apenas 3 estavam no PNR na altura do Armando... e só 1 tem responsabilidades dentro da CI.
Os boatos dos boateiros continuam... Continuamos vivos.
Estes Jovens não tantaram matar ninguém.
E é verdade que usaram de violência para com dirigentes da área nacional. Quando a única solução... é essa...
Então e que tal os resultados?
Resultados oficiais em Nice:
http://www.linternaute.com/ville/ville/elections-municipales/88/nice.shtml
NICE:
FN 4,16%
Nazionistas 3,03%
Gordo chibo, continua refundido, porque nem sabes o que te espera.
Pelo menos este é original:
http://pt.novopress.info/?p=2300
Ameaças anónimas é do mais vulgar e comum.
Strasbourg, contre le FN, Robert Spieler, s’effondre à 2,17 % (1 616 voix) soit une baisse de 76 %. En 2001, Robert Spieler faisait 9.21 % (6076 voix).
A Nice, toujours contre le FN, Philippe Vardon, liste N.I.S.S.A., fait 3,03% (3686 voix).
Au Havre (184 000 hab), le candidat MNR Philippe Fouché-Saillenfest, fait 3,98% (2436 voix), en baisse de 66 %. En 2001, Philippe Fouché-Saillenfest faisait 6,47 % (3990 voix).
A Evreux (51 000 hab), Emmanuel Camoin à fait 3,67% (247 voix), soit une baisse de 71 %, En 2001, le candidat Yves Dupont du MNR faisait 8,38 % (1273 voix).
A Lomme (28 000 hab), Luc Pecharman fait 3,49% (349 voix). En 2001 : Premier tour, Luc Pecharman faisait 12,54% (1241 voix), soit une baisse de 72 %.
A Dreux (30 000 hab), Laurent Leclercq fait 4,30 % (355 voix), soit une baisse de 56%. En 2001 : Fabrice Crepin du MNR faisait 9,84 % (676 voix).
A Wattrelos (59150) (42 000 hab) : Sylvie Langlois, sans l’investiture du FN, fait 7,77 % (1118 voix), soit une baisse de 51 %. En 2001, Sylvie Langlois candidate du FN faisait 15,94 % (2363 voix).
A Lunel (34400) (24 000 hab) : Patrick Marcou fait 4,80 % (489 voix) soit une baisse de 70 %.
A Conflans-Sainte-Honorine (78700) (33 000 hab), Myriam Baeckeroot fait 5,37 % (674 voix), soit une baisse de 63 %.
A Aix-en-Provence (13100) (141 000 hab, Jean-Louis Garello fait 2,72 % (1408 voix), soit une baisse de 72 %.
"NICE:
FN 4,16%
Nazionistas 3,03%"
Olha olha... o tipo que saudava o Tio e andava com t-shirt's a dizer "Skinhouse" a chamar os outros de nazis. É preciso uma falta de lata!
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